No nome de Elena Dumitro

Foi-me dificil atopar nos jornais, nas televisons, nas redes sociais… o seu nome. Ela , Elena Dumitro, fria, sem vida, depois de parir quatro para o mundo, desfazia-se em sangue e frio de baldosa, numha rua da Milagrosa, na cidade de Lugo. A vida roubada a golpe de machada. Ela, Elena Dumitro, dim que é a número 13. Com seguridade ergueu-se esse dia preocupada polo que comer, e querendo que todo fora bem. Nom sabia que ia pagar coa vida essa batalha. Dera moitas. Sabia como começavam e algo nela impedia-a calar e outorgar. Arriscava-se em cada umha delas, às vezes nom moi consciente, de até onde podia ou nom porfiar sem correr muito perigo. Esta última batalha perdeu-na definitivamente. As mans das vizinhas, arrastrando-a longe do campo de batalha nom conseguiram salva-la, tam só coloca-la no espaço público como umha combatente mais, umha combatente abatida.

Hai semanas aparecia nos médios de comunicaçom um inquérito onde se refletia que umha parte da povoaçom opina que a violência machista nom tem soluçom, que é algo inevitável, que sempre existiu. Também opina que as leis aprovadas resultam ineficaces para rematar coa violência machista. Hai algo de sabia intuiçom nestas opinións que vam em aumento, porque as leis, as políticas de igualdade, mesmo a mobilizaçom cidadá que segue a cada assassinato, nom fai albiscar o fim desta violência. Mais ao contrario, parece recrudescer e mostra-se imparável e cruel. É certo que na memória colectiva sempre existiu, mas as altas tasas de suicídio entre os agressores; o assassinato de filhas e filhos menores para infringir a morte em vida, e o incremento do número de moças assassinadas, falam dum fenómeno social com expresons novidosas que quando menos, precisa dum fondo análise ou doutras leituras para a sua comprensom e a sua erradicaçom.

Em todo caso, estamos ante umha batalha cruenta que gera sofrimento, destruçom, feridas e morte. Um guiom que se perpetua e se reproduze em múltiples escenários e na transversalidade social e generacional. Eu afirmo, como o afirmara já hai mais dumha década a feminista galega Begonha Caamanho, que é umha guerra.

Esta guerra, coma todas as guerras, mata. É umha guerra de dominaçom. É a guerra que o Patriarcado livra contra as mulheres do mundo. Umha guerra da que nom se dam partes nem nas grelhas informativas nem nas análises políticas. Esta é umha guerra nom reconhecida, oculta. Nom porque nom se nos informe das mais encarnecidas batalhas, aquelas que incluem soldado-suicida por exemplo, ou porque desde as organizaçons sociais e políticas nom se condenem os feitos e se reivindiquem medidas para luitar contra o que se considera umha “lacra”, senom porque ao nom reconhecer a existência desta guerra, como tal guerra, fai-se umha análise errada em quanto aos mecanismos e recursos que deveram por-se em marcha para conseguir a paz. Umha paz que traia a justiça e a liberdade para as mulheres.

O Patriarcado faz a guerra às mulheres do mundo cum exercito ingente de homens, algumhas mulheres e instituiçons e recursos. Trata-se dumha guerra de dominaçom moi prolongada no tempo. Leva vantaje na guerra psicológica e de propaganda, utilizando médios e centros criadores de opiom e ideológicos. Leva vantaje porque governos, instituiçons religiosas e educativas mostram essa dominaçom como natural ou de orde divina todos os dias. O Patriarcado tem vantaje também nos enfrontamentos corpo a corpo, pois estes campos de batalha som milhons em todo o planeta, mas ao entrarem no terreio do privado fam-se invisibeis, e as mulheres devem dar em solitário essa batalha fronte a um soldado bem armado ideologicamente e às vezes mesmo programado para matar.

As mulheres loitam, rebelam-se contra os péons do Patriarcado. Dam a batalha pola liberdade, contra a injustiça da opressom. A discriminaçom, a escravitude, a submissom, esmaga-as coma umha lousa nas cousas cotiás e nas extraordinárias, em cada minuto cos seus segundos das suas vidas. A sua resposta provoca a violência machista. A chama da liberdade que arde nelas provoca a reacçom da mente machista, do soldado do Patriarcado, para imponher a submissom. Mas essas batalhas dam-nas na mais absoluta soidade. Aí atuam o medo, o sentimento de culpa e a presom social que destroem a autoestima. O Patriarcado vence as mais das vezes nom só porque tem tecidas alianças cos poderosos cos que se retroalimenta para perpetuar-se, senom porque se enfronta a um exército de mulheres desorganizado e dividido em milhons de células de resistência, mas sem a suficiente conexom. Um exército que apenas conta com organizaçons próprias que conformam um inusual movimento social, o feminismo, moi atomizado, que nunca conseguiu a hegemonia social e que nestes momentos a nível planetário conta com poucas alianças e muitos inimigos. Inimigos com tanto poder que mesmo bombardeiam e destroem países inteiros e borram da categoria de cidadania ao 50% da populaçom, mediante leis sharias, leis de família e outras ordenaçons políticas e sociais tam gorentosas para o Patriarcado e tam uteis para o Império agonizante. Inimigos com tanta influência que logram centrar a esperanza dum mundo melhor na eleiçom dum Papa numha das instituiçons mais misogenas da história da Humanidade.

É preciso reformular a estratégia. Som tempos de cambio. Fala-se do fim dum ciclo histórico. Desde o feminismo temos que reflexionar sobre que papel nos toca jogar neste momento de cámbios. Que caminho tomar se queremos que o fim desta guerra chegue quanto antes, e sobre todo, que a sinatura da paz conleve a desapariçom do Patriarcado, que nom à desapariçom dos homens e mulheres que servem nas suas filas. Todo aponta a que essa nova estrategia aponta a dous frontes de luita: a guerra de propaganda ideológica, e a batalha pola deserçom massiva dos homens que servem ao Patriarcado.

  • Arrincar do discurso feminista a vitimizaçom. Som combatentes, luitadoras pola liberdade, nom som vítimas. Enfrontam-se ao opressor, desafiando a autoridade patriarcal, as normas do poder. Exercem a liberdade de amar, de desamar, de decidir, de opinar, do sem permisso … som activistas da igualdade, mas som activistas sem consciência de se-lo e sem organizar.
  • Incluir aos homens no compromisso e no activismo feminista, impulsando desde as organizaçons e movimentos transformadores mistos a sua participaçom e visualizaçom nas políticas de igualdade e na elaboraçom de alternativas ao patriarcado. Impulsar a horizontalidade nesta luita, ampliar ao colectivo masculino a falta de hierarquias que sempre praticou o movimento feminista. Criar e fomentar liderazgos masculinos neste campo, impulsando o liderazgo feminino noutros campos de luita muito masculinizados.
  • Reformular o discurso feminista para romper a barreira que separa as activistas das até agora chamadas vítimas. Nem som vítimas, nem todas somos vítimas. Deveremos conformar umha grande irmandade em rebeldia. Criar redes e alianças que visibilizem as resistências. As pequenas e ailhadas, e as mais grandes e colectivas. Animar a que essa resistência nom se faga em ilhamento, senom unindo-se, organizando-se, participando, para estar mais seguras, para medrar, para aprender das resistências das outras.
  • Fortalecer o movimento feminista, impulsando alianças entre os distintos colectivos e participando com voz própria na construçom dos novos sujeitos políticos transformadores que estam a agromar tanto na Europa coma no norte de Africa. Feminismo é democracia, ou se preferimos, nom hai democracia sem o reconhecimento dos direitos do 50%.

Lupe Ces http://lupeces.blogspot.com.es/

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